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“O luxo está nas atmosferas e vivências do pensamento arquitetónico.”

Miguel Saraiva e o papel da arquitetura em O’Living

O’P Não poderíamos deixar de começar por lhe perguntar quais foram as suas inspirações neste projeto?

MS Em primeiro lugar, tem de se ter em conta a envolvente arquitetónica, é de certa forma, “caótica”, de alguma falta de qualidade Urbana, decorrente de um urbanismo reativo e não estruturado. O que se pretendeu foi um traço de qualidade que responda a erros urbanísticos existentes, elevando-se, consequentemente, o nível médio da mesma. Faz-se com inspiração, mas por consequência com muito trabalho ao nível conceptual. Achamos que a resposta seria a criação de dois volumes puros, brancos, depurados de “decoração” onde a simplicidade é a regra. Os alçados depurados e somente marcados pela horizontalidade das varandas e suas sombras. Na esperança que esta simplicidade traga serenidade ao local e qualidade.

O’P De que forma pensaram na integração e convivência destes volumes com a malha urbana envolvente?

MS O projeto deriva de um loteamento, no qual já estavam definidos uma série de parâmetros urbanísticos e arquitetónicos. Quis-se acrescentar qualidade ao local através da simplicidade e racionalidade volumétrica conferida aos edifícios. No meio de tantas “linguagens”, a nossa proposta tem como objetivo pacificação das mesmas, através do “Silêncio”.

O’P Sendo a Mexto um promotor especializado no segmento de luxo, aportando a máxima qualidade nos seus projetos, e sendo esta a estreia deste promotor no segmento intermédio, quais foram os principais desafios para manter os mesmos níveis e expectativas no produto final?

MS No nosso entender, o luxo não é só dinheiro. O luxo é obtido através do pensamento arquitetónico, de um desenho no qual se pensam atmosferas espaciais interiores e diferentes vivências, refletidas numa imagem com uma funcionalidade. O Luxo é qualidade da habitação e do seu espaço envolvente. O que se tenta nesta proposta é fazer arquitetura de compromisso, qualidade de desenho, qualidade construtiva, com áreas funcionais de qualidade, assim penso que a Mexto, se vai perpetuar de certa forma a sua presença no mercado de Luxo, com uma proposta muito competitiva.

O’P Numa altura em que se revisita bastante a forma como utilizamos as nossas casas, em que o trabalho remoto ganha cada vez maior peso por exemplo ou que as questões ambientais estão na ordem do dia, teve cuidados especiais para que estas unidades possam acompanhar diferentes estilos de vida, ou mesmo mudanças na vida dos futuros moradores?

MS Considerámos importante responder a duas formas diferentes de se entender a habitação – a mais convencional, na qual os espaços privados estão separados dos públicos, e uma mais flexível, na qual esta barreira se dissolve e que permite que os espaços sejam vividos de diferentes formas, consoante as necessidades do seu ocupante (que variam ao longo da sua vida).
Os T1s são apartamentos que, através de portas de correr, permitem a continuidade espacial entre a sala e o quarto – estes dois espaços tanto podem ser entendidos enquanto um único como dois espaços independentes.
Quanto às tipologias T2s, é dada a possibilidade ao ocupante de escolher entre dois tipos:
– Um apartamento no qual há a separação entre a parte privada (quartos) e a parte pública (sala e cozinha). Este permite uma continuidade espacial entre a cozinha e a sala.
– Um apartamento evolutivo, que se define pela localização da sala no centro do mesmo, com um quarto de cada lado. Um dos quartos, o mais pequeno, com portas de correr, poderá ser utilizado enquanto um prolongamento da sala (um espaço de trabalho ou para receber uma visita) e, quando o casal tiver filhos, esse espaço passar a ser o quarto do(s) filho(s).
A preocupação ambiental está presente em todos os nossos projetos, esta presente por defeito, desde as questões passivas e ativas. Dos materiais recicláveis a manutenção.

O’P Não pudemos deixar de reparar nos altos vãos envidraçados que a fachada apresenta no topo, onde se localizam as unidades T3 duplex. Pode-nos falar um pouco sobre estas unidades?

MS Estas são unidades premium, no topo de cada um dos edifícios. São o “coroamento” dos edifícios, entendidos enquanto faróis urbanos. De forma a exacerbar a sua verticalidade (de farol), são caracterizados por vãos com molduras de 2 pisos. Assim que se entra em cada um destes apartamentos, vê-se imediatamente o exterior. Os enquadramentos visuais foram uma preocupação constante ao longo de todo o projeto.

Os T3s duplex apresentam amplas salas, com cozinhas que se abrem para as mesmas. No piso 0 de cada está localizada a zona pública do apartamento, enquanto que os quartos se desenvolvem no piso 1. A cobertura inclinada conferirá aos quartos pés-direitos maiores, assim como a criação de uma atmosfera espacial diferenciada. O piso 1 oferece ainda um grande terraço, podendo-se tirar partido das vistas enquanto se descansa ou se trabalha no exterior, por ex. A fachada que dá para este terraço apresenta também grandes vãos envidraçados, de modo a se tirar o máximo partido das vistas desde o interior do apartamento.

O’P A nível de interiores e acabamentos gerais do projeto, o que nos pode avançar?

MS O luxo consegue-se também através de materiais que oferecem resistência e durabilidade ao longo do Tempo, e um conforto espacial (quer físico quer visual). Também o interior transmite calma mas sempre com personalidade, através dos tons escolhidos para os acabamentos – as paredes brancas e o pavimento numa madeira de tom claro; os pavimentos cerâmicos (IS’s e cozinhas dos T3s) em tom bege. Os acabamentos tem um standard deste empreendimento são bastante elevados e tiveram na sua essência / escolha serem na maioria materiais produzidos em Portugal.

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